sábado, 5 de fevereiro de 2011

Gestação

Eu vejo o dia subindo e pessoas amanhecendo em boca seca; eu respiro o ar orvalhado da manhã e cada átomo deste corpo eletrificado pelo susto do dia borbulha com cor de sangue. Mais um dia. Ah, Que delícia o prazer de ser. Ser com, ser para, ser só pela existência do verbo; ser e estar para a vida como a vida está para qual.


Sem mais.

Gozar com prazer as novidades caseiras, as notícias mundanas; vibrar e gozar. Lamber o gozo a cada jato de novas expectativas, mudanças, correrias.

Como a vida me esbanja e desgasta! Os dias me arranham, as noites me arrasam... As noites por si vêm roubar o fulgor de alegria latente, trazendo o velho saudosismo exagerado para a convivência de.

O vinho barato confunde a cabeça de garotas com prazer confundido por dias confusos. Dias auto-volúveis, no sentido mais intrínseco da palavra (que não existe).

Estou cansada e feliz; embriagada e excitada pelo nada que se abre à minha frente; como diria a companheira de conversas por dentro de,é tempo de colher morangos.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

BROTHERS (verdade extraída #2)



I don't know who said 'only the dead have seen the end of war'. I have seen the end of war. The question is: can I live again?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

GRITOS DE GEORGIANA.


Quem diria que numa tarde tão bela, tão cor de vento, minha vida se esvaia sem eu perceber... Quem diria que o desamor provocaria em mim tamanho ódio humano? Eu que era menina, eu que nem sabia amar... Eu, tão pura de brincar de roda, tão doce de apostar corrida, eu... Que tinha um mundo a desvendar entre cortejos e fascínios! Num simples piscar de inocência e amarrar de acordos perdi no meio da dança a única coisa que me era por direito assim que vim ao Mundo: liberdade. Como pude? Como puderam? Como...
Pessoas que eu desde sempre admirara! Agora mostravam a verdadeira fronte, a máscara esmagada na grama verde. Seres escoriados, desalmados, frios como o gelo da noite, rudes como a erva daninha que se alastra e ninguém percebe seu veneno! Que traíram minh’alma como Lúcifer traíra Jesus, que me escarraram na fuça a devassidão de um complô onde eu era a marionete tola, a marionete infeliz, sem escolha.
Agora não entendo mais nada; tudo se tornou um imenso borrão. Como uma tempestade que lava da terra os nutrientes mais raros e deixa cheiro de vazio molhado. Como as notas rápidas e embaralhadas de um Allegro, as quais não decifram nada e deixam tão somente o falso sentimento de felicidade.
Mataram-me em tudo... Tiraram o brilho que eu via na Lua, roubaram-me o amor que sentia e não sabia... Roubaram e eu não soube! O que tenho eu agora? O que me resta? O que...
Apego-me agora aos pequenos feixes de luz que adentram a janela de meu abrigo encadeado; repouso no colo absoluto dos filhos que gerei o pouco que resta de mim mesma, o pouco da graça que tinha em um tempo que não lembro mais... Filhos gerados com o líquido do mais puro desvario, da maior obrigação e falsidade, mas ainda assim... Meus.
Enxergo seus pequenos cachos como cordas que me levantam para encarar o dia; em suas incompreensíveis palavrinhas ouço conselhos que me evitam clamar injúrias verdadeiras na presença de seu fétido pai. Cada mãozinha com formato de nuvem aguça-me os sentidos de mãe e conforta minhas dores, conforta meu desespero, minha grossa perdição.
Quem sou eu? Alguém pode me dizer? Alguém pode me apontar? Alguém...
E o buraco sobrado é paciência. Paciência em levar a vida de outros nos ombros meus; paciência em mostrar a face recalcada como se a mesma fosse exemplo a próximas gerações. Paciência para deglutir risos, comentários e absurdos numa só noite, com uma boa faixa de maquiagem para ajudar na descida.
Em suma? Acredito que perdi a essência da vida e não irei encontrá-la nessa mesma; não nesse corpo, não nessa casa. Não pretendo procurar por ora outras distrações que me façam sorrir, não possuo mais a virtuosidade para tamanha sangrenta empreitada (sim, também na roubaram).
O resto? O resto é nada...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Espanto de Heathcliff.


Ele era franzino, descompassado e infeliz; em sua vida nada tinha lhe dado motivo de abrir um sorriso cheio de dentes, então o que fizera até o presente momento fora cuspir aqui e ali enunciados pobres quando alguém lhe dirigia à palavra. Mas o que agora se postava à sua frente era parecido com as belas e cruéis criaturas que apareciam em seus sonhos. Assim que seus olhinhos secos cruzaram os ávidos olhares da estranha com cabelos castanhos, uma mistura de Dominação e Desejo de guerra infiltrou-lhe os pulmões e o coração. Uma força que até então jamais tomara conta daquele corpo moído... algo como Amor.
Mas não era Amor... Era muito mais. Aquilo que agora tomava conta de seus Instintos animalescos era sobrenatural, desumano, chegando a ser maldito de tão forte e implacável. Ele grunhiu para a criatura umas poucas e embaraçadas palavras sem sentido, e ah! Ela riu... Um riso de derreter montanhas, de desafiar o demônio e crer em vida após a Morte.
No mesmo instante ele obteve consciência de seu estado semi-possuído pela estonteante pessoa que ali jazia; no mesmo instante, mediu a intensidade do Perigo que se aproximava. No mesmo instante, aceitou o Perigo de peitos rasgados e deixou-se levar pelos suspiros doces e os obscuros encantos da doce Sina.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

HM


Dias atrás você apareceu nos meus sonhos novamente. Minha única vontade era poder sentir a ausência de teus suspiros enfraquecendo-me os ossos; mas tua força sobre mim é algo como a Lua que orbita em volta de tudo, transformando tudo, segurando tudo. Todos as dores, os fracassos, os amores, vomitam em minha cara e escancaram-me o passado. E a ferida nunca sara, nunca seca, sempre chora.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

sobre maconhices racionais


Subitamente as coisas no mundo começam a girar; um abismo se enche de água e vira oceano, porções terrenas são encobertas por encostas verdes, pradarias infinitas e a natureza se goza com prazeres infinitos de enfeitar o mundo.
Aos poucos, determinados locais terrestres são habitados de corações pulsantes, falantes e inquietos; ávidos por tirar uma lasquinha da maravilha que se posta à frente de seus olhos venosos; corações desconhecidos se aproximam para fazer os primeiros contatos; um deles é o meu. O outro, seu.
Dois corpos extensos, densos, opostos, que tentam se expelir mas no fundo sabem que tudo acontece de forma reversa.
Se você fugir, te acham. Se você correr, te alcançam. Se você chorar, te amam.
Há meses eu luto contra marés furiosas, e tudo o que tenho é um pequeno remo, já roído por ratos e velho na idade; na verdade ele não ajuda em coisa alguma. Há meses que vago pelos 7 cantos do abismo líquido esperando encontrar alguma garrafa cujo interior guardasse mensagem valiosa, que me abrisse a mente e clareasse os pensamentos.
Eis minhas conclusões depois de tanto tempo:
Não existem garrafas perdidas por aí; ninguém perde o precioso tempo de girar e girar escrevendo mensagens e postando-as em garrafas de rum. Suas dúvidas são suas e somente suas. Lide você mesmo com seus fracassos e demônios, ninguém fará o trabalho sujo por você.
Não fique perdendo tempo também navegando pra longe da ilha. Não use remos baratos porque eles nunca sustentam uma opinião! As ondas sempre acabam te deixando no mesmo lugar, afirmando que o destino que te escolhe, e não o contrário.
Sinta fervorosamente o gozo que a vida joga na tua cara; do contrário, você só é mais um músculo sem graça batendo pra manter um corpo qualquer – vegetativo - em pé.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

the last kiss ( verdade extraída #1)



- I love her, Stephen. Now I know I love her more than I've ever loved anyone else.

- Stop talking about love. Every asshole in the world says he loves somebody. It means nothing.

- But it's the truth.

- Still doesn't mean anything. What you feel only matters to you. It's what you do to the people you say you love that matters. It's the only thing that counts.