quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ampulheta

Em que espelho ficou perdida a minha face?


Eu conto as voltas do ventilador,
As gotas que pingam na pia.
Adianto o relógio para me enganar da dor.
Me afogo por horas em banheira fria.
Eu leio o mesmo livro infinitas vezes,
Escrevo e apago versos mal feitos.
Eu sento na sala escurecida pelo breu de seus olhos,
Na sala fria e atormentada pela sua presente ausência...
E nada.
Eu tiro o pó do guarda-roupa, desenlaço nossas roupas
Sento na escada te esperando bater à porta.
Deito, levanto, bebo feito louca
Abafo com risos a solidão que corta.
Respondo teu silêncio com cartas negras.
Eu queimo as semanas como se fossem papeis velhos,
Eu desconto no travesseiro a raiva de dias amargos,
Eu conto até dez e abro os olhos... E nada.
Eu checo o correio por notícias tuas,
Pico lembranças, escondo nossas fotos
Cuido das flores, conto as fases da lua
Te desenho em diferentes ângulos, diferentes rostos.
E nada.
Eu quero sossego, quero algo a mais para dizer,
Quero achar em meus braços, aconchego.
Quero me achar no mundo, te perder.

Um comentário:

Larissa Sumikawa disse...

Me identifico muito com seus textos. Seu jeito moralizante em alguns e mórbidos em outros são muito interessantes e porque não inspiradores?! ...Estou lendo desde os primeiros :D

:*