quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sobre vielas, anjos e despertadores.



Levanta-te! Mais um dia.


A semana se arrasta em fios de linho mofado que se bifurcam em incansáveis horas de tédio e estafa estática. Olho para lá e para cá, procuro papéis em branco, escrevo meu nome de todas as formas possíveis; meus olhos deparam-se com o relógio: passara-se um minuto. Assim minha vida adolescente, de dramas mínimos e espinhas causadoras de ascos constantes, torna-se quase delével. O ar que gira em volta de meus pulmões encontra-se turvo, pesado e fedido. Minha mente, tão corrosiva para com meus próprios pensamentos, fecha-se em provas, testes, questões irresolutas, matérias diminutas e assuntos bobos de colegial.

Mais um dia.

Sinto que mui freqüentemente minha alma divaga, exorcizando-se de mim mesma, saindo do poço de confusões e perda de amores. Minha alma corre para o coração, onde minha mente também deveria estar. O coração, preferindo resguardar os últimos sentimentos verdadeiros que lhe restam, se oculta dentro de meu pequeno corpo, e perco-o de vista. Alma e coração perdidos.

Mais um dia.

O afobamento da vida, das pessoas, do comércio, indústrias e tecnologias afoga-nos em seu mar de consumismo, de ignóbeis polêmicas e assuntos baratos vendidos em butecos de esquina. Nessas esquinas, homens procuram saídas, e acham entradas para a perdição de seus anjos. Procuram o número da sena, o próximo capítulo da novela das oito, procuram em catálogos o próximo moderio. Distrações mundanas. Futilidade humana. O transcendentalismo, o diferente, o inovador vira pó.

Eu, porém, procuro a mim.

Pergunto a mendigos, amigos, desconhecidos: onde anda minha alma? Aquela que dança, grita, anima, aconselha, cospe, xinga, saltita, interpreta, sente, vive, chora, pula, tirinta,tilinta, teme, sofre,emociona e se emociona... Tem a visto por aí? Se a virem, diga que, por favor, volte para mim!

Mas os olhos fora de órbita nada falam, pois mui provavelmente também perderam suas almas.

Meus olhos deparam-se com o relógio: outro minuto...

3 comentários:

Alice Gabriella disse...

acho que se encontrar deve doer :/
(e provavelmente acho que essa foi a coisa mais estúpida que já disse na vida,ou não).

Felipe ? disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Felipe disse...

Sem dúvidas esse é um dos melhores textos que li nas últimas semanas, muito do que você colocou em palavras é o que se passa na minha própria e pequena mente.
Esse maldito relógio, a alma, o ser e não ser, o coração com band-aid...

A-D-O-R-E-I

e olhando no relógio, se passou um minuto.