quinta-feira, 19 de novembro de 2009

[Poema de sete faces]



Escrevo, descrevo, rabisco, pontilho,
pinto, borro, mancho, corrijo...
Minha vida, como fúria de vulcão adormecido,
Inquieta-se quando a vontade é expandir,
Gritar, fazer acontecer.
Eu, tão eu,
tão consciente da incerteza de mim mesma,
escrevo liras a fio, versos de véu e espinho,
amores, ilusões, carinhos.
Eu, pequena-grande no meio da massa sem nada dentro,
A massa que urra, ruge, cacareja, e nada fala.
Minha existência, tão ávida por mudanças, estala:
Louca e delirante corre os dedos por entre papéis,
procura fatos, atos, gestos, cantos...
Qualquer resquício de esperança batida,
Que aquiete o coração e poupe suas unhas de serem roídas.
A procura constante, descontínua, intrigante.
Rôo, corrôo, destruo, construo, convalesço...
Na eterna repetição de quem se arrisca,
Traço linhas sem régua em meu caderno surrado.
Eu, tão eu e muito só,
Ávida e tácita,
Franzina e leão,
Algodão e areia,
Quente e gélida,
Criança, menina, mulher, todas elas.
Tudo dentro de mim, misturando-se dentro de mim,
Conturbando todo meu ser, inflamando todo meu ser.
Tão eu, o tudo, tão nada.

Um comentário:

Alice Gabriella disse...

seu auto conhecimento me assusta :O
só pra registrar.